28/05/2026
Em meio aos sons dos corredores hospitalares, vozes, memórias e canções passaram a ocupar um espaço muitas vezes marcado pelo silêncio. Em Barbacena, a música se tornou instrumento de acolhimento, humanização e cura emocional.












No primeiro semestre de 2026, acadêmicos da Faculdade de Medicina de Barbacena (FAME-FUNJOB) desenvolveram o projeto de extensão “Entre Silêncios e Canções: caminhos de escuta, memória e presença”, voltado para idosos em longa permanência hospitalar. A proposta buscou transformar a experiência da internação por meio da escuta sensível, das narrativas de vida e da arte.
Mas foi através da música que muitos encontros ganharam ainda mais significado.
A ação contou com a participação do Coral do Conservatório, regido pelo professor Heitor, integrante do projeto “Música Cura”, iniciativa que vem emocionando diferentes instituições da cidade ao levar apresentações musicais a hospitais, asilos e espaços de acolhimento.
Mais do que apresentações artísticas, o projeto utiliza a música como ferramenta de cuidado e conexão humana. As visitas promovem momentos de conforto emocional, despertam lembranças afetivas e criam vínculos entre os pacientes e a comunidade.
Durante a atividade no hospital, canções conhecidas despertaram sorrisos, lágrimas e memórias. Muitos pacientes acompanharam as músicas com o olhar emocionado, cantaram trechos e compartilharam histórias marcadas pela trilha sonora de suas vidas.
Segundo os organizadores, a presença do coral transformou o ambiente hospitalar, trazendo leveza, sensibilidade e acolhimento. Em um contexto de internação prolongada, no qual muitos idosos enfrentam isolamento social e sofrimento emocional, a música mostrou sua potência como linguagem de afeto e presença.
O projeto “Entre Silêncios e Canções” foi estruturado em quatro encontros terapêuticos. A primeira atividade, “Cartas que atravessam o tempo”, incentivou a expressão emocional por meio da escrita e da fala. Em seguida, “Saberes que permanecem” promoveu rodas de conversa e partilha de experiências de vida.
No terceiro encontro, “Memórias que acolhem”, estímulos sensoriais ajudaram a despertar lembranças afetivas. O encerramento aconteceu com “Vozes em encontro”, momento coletivo marcado pela participação do Coral do Conservatório e pela força da música como experiência de cuidado coletivo.
As atividades permitiram observar maior engajamento emocional dos pacientes, fortalecimento da autoestima e aproximação com a equipe de cuidado. Para os estudantes envolvidos, a experiência também representou um aprendizado sobre escuta, empatia e cuidado centrado na pessoa.
O projeto reforça que a humanização hospitalar pode acontecer em pequenos gestos: em uma conversa, em uma lembrança compartilhada e, principalmente, em uma canção capaz de alcançar lugares onde muitas vezes as palavras não chegam.
Participaram do trabalho os acadêmicos Ana Flávia de Matos Pereira, Ana Paula Botelho Souza, Ana Paula de Souza Paula, Bruna Moura Pimentel, Isadora Discacciati Fonseca, Maria Paula Damasceno Vieira, Nayla Yasmin Faria da Silva, Pedro Henrique França Barbosa Silva e Priscila Karen Rezende, sob orientação da professora Helena Ribeiro Sosa.
