08/05/2026
No dia 07 de maio, o Programa de Valorização da Memória, Cultura e Arte (PVMCA), da Faculdade de Medicina de Barbacena, promoveu uma atividade de grande relevância na ala feminina do Hospital Psiquiátrico e Judiciário “Jorge Vaz”. Sob o tema “Tecendo Memórias e Cores: A Colcha dos Afetos”, a oficina utilizou a arteterapia para resgatar a individualidade e a história de cada paciente.
Na construção da “Colcha dos Afetos”, a atividade foi estruturada para ir além do diagnóstico clínico, focando na expressão livre e na valorização da identidade pessoal. Dessa forma a dinâmica oportunizou roda de conversa onde a tarde iniciou com um diálogo sensível sobre o que traz conforto e alegria a cada mulher, acessando memórias e sentimentos profundos. Nesse momento foi possível fazer associação ao “Dia das Mães”, data que se aproxima.
No segundo momento, houve criação coletiva na qual cada paciente recebeu um quadrado de cartolina para expressar, através de colagens de retalhos diversos de papel, um fragmento de sua própria história ou desejo, sonhos. Ao final, os retalhos individuais foram unidos, formando uma “colcha simbólica”. O painel representa que, mesmo em isolamento, as pacientes fazem parte de um coletivo e possuem identidades que merecem ser tecidas com dignidade.
No momento final, duas pacientes do hospital enriqueceram a dinâmica ao som de violão e apresentação musical e a equipe do PVMCA presenteou a todas com a declamação da linda poesia “Retalhos Costurados”, do escritor Geraldo Magela, que apresentou relação com a atividade proposta e seu relevante significado.
Nesse sentido, a ação buscou combater o estigma histórico das instituições psiquiátricas. Através do estímulo a decisões estéticas e criativas, promoveu a autonomia, o direito de voz, a manifestação de subjetividades e o reconhecimento da dignidade humana.
Para as acadêmicas de Medicina, a experiência foi uma oportunidade considerável de praticar a escuta qualificada e a empatia em um ambiente de saúde mental. A vivência reforça a importância de enxergar o paciente como um todo, unindo ética, cuidado e humanização no aprendizado acadêmico.
“A colcha simboliza que as pacientes possuem identidades que merecem ser vistas e ‘tecidas’ com dignidade.”


